ENSINO E QUALIDADE – Podcast da ALERR debate desafios da educação e resultados do Ideb em Roraima

Em alusão ao Dia do Professor, a Superintendência de Comunicação (SupCom), da Assembleia Legislativa (ALERR) exibiu, nesta sexta-feira (23), o podcast “Educação em Evolução”, que discutiu, com profissionais da área os desafios da educação em Roraima e os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dos últimos anos.

Diego Araújo, professor e assessor pedagógico da Secretaria Estadual de Educação (Seed), iniciou o episódio explicando o que é o Ideb e sua importância para alcançar uma educação de qualidade. Ele também esclareceu que os indicadores, de forma geral, são um recorte da realidade e não representam uma totalidade.

“O Ideb tem uma grande importância porque ele vem pautando a educação brasileira desde 2007, quando ele foi criado. Basicamente, isso se deve ao fato de ele agregar dois direitos educacionais muito importantes: o direito de aprendizagem e a permanência do estudante ao longo dos estudos. Então, isso tem uma grande relevância para a gente entender como é que está evoluindo a qualidade da educação brasileira”, esclareceu.

Suzanmara Queiroz Valle, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Roraima, destacou que a rede privada de ensino também utiliza o Ideb, mas, com foco nos sistemas de ensino, que é uma solução pedagógica integrada, que reúne material didático estruturado, plataforma digital, formação de professores, avaliações e assessoria pedagógica em torno de um currículo único alinhado à BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

“Por meio disso, a gente consegue, sim, com base nesses resultados, fazer as melhorias. Para se ter uma ideia de como isso impacta fortemente nas escolas, no sistema de ensino no qual fazemos parte, temos um modelo similar ao Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), que avalia os jovens em leitura, matemática, ciências e letramento digital, para verificar como as escolas estão. A partir dos resultados, os relatórios são devolvidos às instituições indicando mudanças e sugestões”, destacou.

Ruptura no processo de ensino-aprendizagem durante o período da pandemia

Os impactos da pandemia no ensino-aprendizagem dos estudantes também foram abordados no podcast. De acordo com dados do Ideb, 2020 e 2021 apresentaram os piores índices, durante os anos finais do ensino fundamental, tanto na rede privada quanto na pública, com meta de 5,9% e 5,2%, respectivamente. 

A coordenadora do doutorado Educanorte, da UFRR, Ananda Machado, comentou que as escolas indígenas foram as principais afetadas nesse intervalo.

“Imagina, escolas que têm menos acesso à internet e que tinham que imprimir materiais para levar de casa em casa. Em época de chuva, alguns tinham que passar por dentro de rios, carregando materiais dentro de sacos. Então, realmente, foi uma fase bem difícil. Se fizermos um estudo sobre isso, com certeza, vamos perceber que houve uma grande decaída. Eu lembro de alunos que iam à sede do município ficar debaixo de árvore tentando pegar sinal para assistir uma aula”, recordou.

Os convidados falaram ainda sobre modelos de gestão escolar, como a militarização e o ensino em tempo integral, fatores que influenciam o desempenho dos alunos, políticas públicas implementadas e os caminhos para melhorar os índices de aprendizagem e reduzir as desigualdades entre as redes.  

Para a mediadora do podcast, jornalista Isabela Bastos, o debate sobre a educação é fundamental para compreender os desafios do ensino para além da sala de aula, envolvendo a participação de diferentes setores da sociedade.

“Nós reunimos perspectivas de profissionais diversos para analisar dados, avaliar os avanços alcançados e discutir alternativas para melhorar a qualidade da educação. Creio que o encontro também destacou a importância da participação popular na construção de caminhos e soluções para o setor”, disse.

O bate-papo teve transmissão ao vivo pela TV Assembleia (canal 57.3) e pelo YouTube (@assembleiarr). O episódio completo também está disponível nas plataformas de áudio Deezer e Spotify do parlamento roraimense.

Texto: Suzanne Oliveira

Fotos: Jader Souza

SupCom ALERR

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