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Leitura: PATRIMÔNIO CULTURAL – Paçoca de carne preserva tradição e leva identidade roraimense para o mundo
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PATRIMÔNIO CULTURAL – Paçoca de carne preserva tradição e leva identidade roraimense para o mundo

Sílvia Vieira
Sílvia Vieira
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Carne, farinha, manteiga, cebola e uma história que atravessa gerações. Para quem vive em Roraima, a paçoca de carne vai muito além de uma receita tradicional. Presente nas mesas das famílias, nos estabelecimentos da cidade e nas grandes celebrações populares, a iguaria carrega sabores, memórias e costumes que ajudam a contar a história do povo roraimense.

E esse valor ganhou reconhecimento oficial. Desde fevereiro de 2025, a paçoca de carne é considerada Patrimônio Cultural Imaterial de Roraima, por meio da Lei Estadual nº 2.108/2025. No mesmo ano, outro reconhecimento colocou Boa Vista definitivamente como referência quando o assunto é a iguaria: a Lei Federal nº 15.195/2025 conferiu ao município o título de Capital Nacional da Paçoca de Carne com Farinha.

Os reconhecimentos reforçam uma relação que vai muito além da gastronomia. Para a superintendente de Turismo da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC), Alda Amorim, preservar a paçoca significa manter viva parte da memória do estado.

“A paçoca de carne representa muito da nossa história e da identidade do povo roraimense. É um alimento ligado às nossas raízes, à vida no campo, às famílias e aos encontros em torno da mesa. É uma receita simples, mas carregada de memória afetiva e tradição, transmitida de geração em geração. Quando reconhecemos a paçoca como patrimônio cultural, estamos dizendo que ela não é apenas comida: é parte da história de Roraima”, destacou.

Da mesa roraimense para o mundo

Se por décadas a receita passou de geração em geração, nos últimos anos ela também ganhou projeção nacional e internacional. Um dos principais responsáveis por essa visibilidade é o Boa Vista Junina, evento em que a preparação da Maior Paçoca do Mundo se consolidou como um dos momentos mais aguardados da programação.

A tradição começou em 2015, quando foram preparados 500 kg. Desde então, a quantidade cresceu ano após ano. Em 2024, a iguaria entrou oficialmente no Guinness World Records, com 1.356 kg, tornando-se a Maior Paçoca de Carne do Mundo.

E a história continuou crescendo. No Boa Vista Junina 2026, um novo recorde foi estabelecido: 1.593,5 kg. A preparação levou mais de 15 dias, mobilizou dezenas de profissionais e fornecedores de diferentes municípios de Roraima e, após a pesagem, a paçoca foi distribuída gratuitamente para cerca de 10 mil pessoas.

Para o prefeito de Boa Vista, Marcelo Zeitoune, a dimensão alcançada pela paçoca mostra como uma tradição pode se transformar também em motivo de orgulho e dar projeção à cidade.

“A paçoca faz parte da história de quem nasceu aqui e de quem escolheu Roraima para viver. É um sabor que lembra família, tradição e a nossa própria identidade. Quando Boa Vista leva essa cultura para um evento como o Boa Vista Junina e consegue apresentá-la para o Brasil e para o mundo, estamos valorizando aquilo que é nosso. Hoje, temos orgulho de sermos a Capital Nacional da Paçoca de Carne com Farinha e de ver essa tradição sendo preservada e passada para as próximas gerações”, afirmou.

Turismo que também passa pelo sabor

A projeção alcançada pela iguaria também fortalece outro segmento: o turismo. Para Alda Amorim, experimentar a culinária típica é uma das maneiras pelas quais o visitante estabelece contato direto com a história e os costumes de um destino.

“Quando valorizamos a paçoca, transformamos um elemento da nossa identidade em uma experiência para quem visita Boa Vista e Roraima. O turista prova o prato, mas também conhece a história, os ingredientes, os costumes e as pessoas que mantêm essa tradição viva. Isso fortalece nossos restaurantes, empreendedores, produtores e toda a cadeia do turismo. A paçoca acaba se tornando também uma marca do destino”, explicou.

Essa dimensão cultural ganhou ainda mais evidência nesta semana, quando Boa Vista recebeu o encontro “Patrimônio Criativo de Boa Vista: Tempo, Identidade, Inclusão Produtiva e Renda”, promovido pela Prefeitura de Boa Vista em parceria com instituições como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A programação discutiu justamente a preservação e a valorização das referências culturais, além de sua relação com a identidade, a inclusão produtiva e a geração de renda.

Uma tradição para as próximas gerações

O reconhecimento como patrimônio imaterial também carrega uma responsabilidade: garantir que os conhecimentos, as práticas e as memórias associados à paçoca continuem vivos. Para Alda, esse processo passa principalmente pelo envolvimento das novas gerações.

“Quando uma criança ou um jovem conhece a história da paçoca e entende por que ela é importante para Roraima, estamos fortalecendo o sentimento de pertencimento. O patrimônio precisa estar vivo, presente no cotidiano e ser constantemente transmitido, valorizado e celebrado”, ressaltou.

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